Santo Antônio da Platina é primeira cidade do país a aderir ao Detox Digital

Contra uso inadequado de smartphones, tablets e notebooks

O Paraná é o primeiro estado brasileiro a aderir ao Programa “Reconecte”, que inclui a Campanha “Detox Digital Brasil”. A adesão foi nesta segunda-feira (08) no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

O programa, que visa promover uma mobilização nacional para conscientização sobre a utilização ética, saudável e segura dos recursos tecnológicos digitais, é uma iniciativa do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e contou com participação da Comissão que Defende os Direitos da Criança, Adolescente, Idoso e da Pessoa com Deficiência (Criai), da Secretaria Estadual de Justiça, Família e Trabalho (Sejuf-PR) e do Instituto Tecnologia & Dignidade Humana (I-T&DH).

O primeiro município do Brasil a aderir foi Santo Antônio da Platina, com as presenças do prefeito Professor Zezão, da vereadora Míriam Bonomo, do chefe de gabinete Ditinho Miranda, e dos secretários de Planejamento, Coronel Diniz, e Saúde, Gislaine Galvão Inácio dos Santos.

O programa engloba uma série de ações e atividades para alertar os paranaenses sobre os riscos subjacentes ao uso da tecnologia, oferecendo conhecimento a respeito dos limites e dos riscos envolvidos no manejo diário de smartphones, tablets computadores e outros aparelhos eletrônicos conectados à internet.

Precisamos propor soluções para esse problema que afeta muitas famílias: o distanciamento devido à má utilização dos recursos tecnológicos, o uso imoderado dos recursos tecnológicos tem contribuído para o enfraquecimento dos vínculos familiares”

Dentre as ações, está a criação de um “Dia “D” no qual as pessoas serão desafiadas a ficar 24 horas sem tecnologia, realizando atividades em família, exercícios físicos, leituras, práticas esportivas, passeios, entre outros.  A data escolhida é 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental. Trata-se de um projeto de lei apresentado nesta segunda-feira pelo deputado estadual Cobra Repórter (PSD), presidente Criai.

 

“Precisamos propor soluções para este problema que afeta muitas famílias: o distanciamento devido à má utilização dos recursos tecnológicos o uso imoderado dos recursos tecnológicos tem contribuído para o enfraquecimento dos vínculos familiares”, disse o deputado Cobra Repórter. O uso inadequado de smartphones, tablets e notebooks tem gerado o surgimento de novas doenças – as chamadas tecnopatias –, além de problemas sociais que atingem pessoas de todas as idades, mas sobretudo os adolescentes. Entre eles estão o pescoço de texto, dedo de gatilho, transtorno de jogo eletrônico, síndrome de toque fantasma, ciberbullying, selfitie, selfiefatal, nomofobia, tecnostress e sextorsão.

“O programa visa a implementação de ações referentes à saúde física e mental, à cognição, às relações sociais e à segurança. E a primeira cidade do Brasil a colocar em prática o Detox Digital será Santo Antônio da Platina”, explica Cineiva Tono, assessora-técnica da Sejuf-PR, mestre em educação, doutora em Tecnologia e Sociedade e uma das mentoras do Programa “Reconecte”.

Segundo pesquisa da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de 2018, 24% dos estudantes de uma escola pública apresenta dependência na internet.

50% usa o telefone durante as refeições; 30% usa no banheiro. Ainda de acordo com a pesquisa, 80% dos alunos de escolas particulares disse que os pais não colocam limite no tempo do uso da internet, o mesmo ocorre com 60% dos alunos de escolas públicas.

O objetivo da campanha no Paraná é, além das palestras e seminários, formar multiplicadores junto aos 32 Núcleos Regionais de Educação e profissionais das áreas de saúde, justiça, segurança pública e assistência social em todo o estado. A mobilização, tanto nacional como estadual, visa promover a utilização ética, saudável e segura da internet. A elaboração do projeto do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, contou com a assessoria de profissionais paranaenses, como a doutora Cineiva. Para ela, “os avanços tecnológicos são importantes. Não somos contra, mas é preciso orientação desde cedo para garantir a proteção integral das crianças e adolescentes, para aproveitarmos bem os benefícios que a era digital oferece”, destacou.

Tecnologia: mocinha ou vilã? “Não queremos demonizar a tecnologia, mas sim os seus efeitos colaterais”. Foi assim que começou a palestra do representante do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, DanielCelestino. O intuito do projeto é, segundo o coordenador-geral do Reconecte, garantir o bem-estar dos usuários da tecnologia. O uso inteligente da tecnologia, na opinião dele, é um desafio para as famílias e escolas. Por isso, a mobilização é fundamental.

E responder as perguntas como: “Por que o Governo deve se preocupar? Como o mundo vem tratando esse tema e  o que o Ministério vai fazer? É outro desafio, afinal, a humanidade caminha para conectar cada vez mais as pessoas. Entre os benefícios, Celestino apontou, a agilidade na informação, a importante evolução nos recursos tecnológicos a favor, por exemplo, da saúde, com acessibilidade e cirurgias à distância; medicamentos eficazes; a inteligência artificial, como as impressoras 3D. O problema, é que centenas de estudos apontam que as famílias vêm sendo afetadas de forma negativa pela internet. Enquanto a média de uso mundial da rede é de 6 horas e 40 minutos por dia, no Brasil, ela ultrapassa nove horas diárias. As consequências: ansiedade, vícios e um segundo lugar no ranking em crimes cibernéticos: ciberbullyng, crimes sexuais, estupros virtuais.

Deputado Cobra Repórter

Além disso, um outro levantamento, da Sociedade Brasileira de Pediatria, apontou um aumento na falta de socialização, de autoagressão e suicídio entre crianças e adolescentes.  “A tecnologia entra na vida das pessoas quando as relações familiares não cumprem suas funções”, alertou o psiquiatra infantil, Maurício Nasser Ehlke.

As Soluções apontadas – Com o Reconecte, se espera obter o uso moderado da tecnologia. O público alvo do programa é a família, com extensão para os educadores. Entre os eixos estão a priorização das relações; a responsabilidade digital; o equilíbrio, inclusive no trânsito; a saúde física e mental; a segurança digital. Ou seja, criar uma cultura digital, com a educação digital.
Os meios para a propagação do programa serão os veículos de comunicação, governos, escolas e instituições públicas. As ações estão sendo planejadas para os próximos quatro anos.
Com isso, os resultados esperados são: a melhoria das relações familiares; as amizades reais; o uso consciente da tecnologia, deixando por último, o uso dela para o entretenimento.

Que tal um dia inteiro sem tecnologia? – Esse é um dos eixos do programa Reconecte. Convidar a sociedade para passar um dia inteiro sem o uso da tecnologia é outro desafio, dizem os especialistas, em um momento em que é mais comum do que se imagina encontrar os chamados “dependentes digitais”. Um dia, duas horas, 30 minutos sem tecnologia podem causar os mesmos efeitos psicológicos observados em um viciado em drogas ou bebidas. “Nós médicos recomendamos aos pais um limite no acesso às telas, principalmente, no horário das refeições, na hora de ir para a cama.  Vitamina “N” é a receita: “N” de natureza. Caminhadas, contatos sociais, sem dúvida, são o caminho”, enfatiza a médica pediatra Iolanda Maria Novadzki.

Os números da conectividade
– 30% das crianças com menos de 2 anos já utilizam tablets e smartphones.
– 75% das crianças com menos de 8 anos têm acesso aos dispositivos tecnológicos.
– Mais de 400 Milhões de pessoas no mundo são dependentes virtuais.
(Fonte Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos)

Participaram da solenidade diversas autoridades, entre elas o chefe do Departamento de Justiça da Sejuf-PR, Felipe Hayashi (coordenador da Força-Tarefa Infância Segura); coordenador-geral do Enfrentamento a Vícios e Impactos Negativos do Uso Imoderado de Novas Tecnologias da Secretaria Nacional da Família, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, Daniel Celestino; especialista em Medicina Forense e Psiquiatria que atua no atendimento especializado a crianças e adolescentes, Maurício Nasser Ehlke; Pediatra Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente e Especialista em Medicina do Adolescente, Iolanda Maria Novadzki.

Infância Segura – No Paraná, o Detox Digital faz parte das ações previstas no Pacto Infância Segura, especificamente a Ação 5, que visa a prevenção a crimes sexuais cibernéticos contra a criança e o adolescente, assinado por diversos órgãos públicos e instituições da sociedade civil, e integrará a Política Pública de Proteção Integral da Criança e do Adolescente Paranaense, promovida pela Sejuf-PR.