Jacarezinho está sob ameaça de nova epidemia de dengue

Forrest Brasil alerta para a alta temporada do mosquito vai começar e o Bairro Aeroporto já concentra mais da metade dos casos da doença

O boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), no último dia 19, confirmou 1.234 casos da doença no Paraná desde 28 de julho deste ano e, Jacarezinho, mais uma vez, aparece sob risco iminente de nova epidemia de dengue, a exemplo do que vinha ocorrendo nos últimos anos.

Em nível estadual foram 205 novos registros da doença desde o relatório da semana anterior. Na cidade de Jacarezinho, o Bairro Aeroporto, que hoje é a região mais afetada, concentra 29 casos de dengue desde o final de julho (quando iniciou o novo ano epidemiológico) até novembro. Esse número representa mais da metade dos casos do município (44 casos totais – dados da vigilância municipal ).

“Estamos vendo uma inversão na ocorrência dos casos de dengue em Jacarezinho. Durante a realização do Controle Natural de Vetores da Forrest Brasil, no bairro Aeroporto, de setembro de 2018 a abril de 2019, dos 313 casos da doença registrados em Jacarezinho, apenas 8 deles foram na área de liberação dos mosquitos durante a realização do Projeto Piloto, representando cerca de 3% dos casos totais. A região mais afetada na época foi a Vila São Pedro, com 204 casos, quase 70% do total. Agora a região mais afetada é o Aeroporto, com mais da metade dos casos, e de aplicação do CNV não apresentou nenhum caso da doença até o momento”, revela a coordenadora do projeto Lisiane de Castro Poncio, durante exposição realizada na noite da última segunda-feira (25), no plenário da Câmara de Vereadores.

A diretora da Forrest, Elaine Paldi, na mesma audiência, fez um alerta aos vereadores e público presente de que a parceria entre a empresa de biotecnologia e a prefeitura de Jacarezinho está parada por falta de definição da Secretaria Municipal de Saúde, que até agora não renovou o convênio para a continuidade do controle biológico do mosquito. “Vislumbro com pesa r que, se nada for feito rapidamente, teremos uma explosão de infestação do mosquito e, com isso, aumento assustador dos casos de dengue na cidade”, alertou.

Tecnologia

Depois de atingir reduções superiores a 90% no número de mosquitos Aedes aegypti na área contemplada pelo Projeto Piloto Controle Natural de Vetores (CNV), da Forrest Brasil, a população do bairro Aeroporto volta a sofrer com o problema. A empresa utilizou uma tecnologia inédita no mundo, que dispensa o uso de inseticidas. “Conquistamos excelentes resultados com o piloto, no entanto, o projeto não foi continuado no bairro por falta de incentivo do poder público. Sabemos que os ovos do mosquito são resistentes e podem durar mais de um ano. Por esse motivo, é fundamental continuar o trabalho na região a fim de reduzir também os ovos remanescentes”, explica Elaine Paldi.

De acordo com ela, o ideal seria implementar esse trabalho em toda a cidade. “Dependemos disso para evitar a elevação dos índices de infestação do mosquito e a potencial recorrência da dengue. Estamos entrando na alta temporada de infestação do Aedes aegypti e os dados já apontam um novo aumento nos casos de dengue, isso é alarmante.”

A atuação da Forrest em Jacarezinho é considerada um caso de sucesso e os resultados já foram apresentados para outras cidades do Brasil. “Os dados comprovam que a tecnologia, aliada ao trabalho de educação e conscientização da população, contribui para a redução significativa dos índices de infestação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, logo, reduzimos drasticamente os casos desta doença na área onde atuamos. Para garantir a sustentabilidade do projeto, seria necessário mais um ano de trabalho, especialmente para reduzir os ovos remanescentes. Com a continuidade do projeto e o apoio da população e do poder público, podemos conquistar uma solução sustentável para combater a dengue e outras doenças relacionadas a esse mosquito”, destaca Lisiane.

Técnica pioneira

A técnica natural consiste em esterilizar mosquitos machos e soltá-los na natureza. Como a fêmea copula uma única vez durante a vida, se a cópula for com um macho estéril então não haverá descendentes. Já se a cópula acontecer com um macho não estéril, uma fêmea pode gerar até 500 ovos, que vão resultar em novos mosquitos. Além desse trabalho, a empresa atua diretamente com os moradores, visitando residências e orientando sobre a prevenção, além de fazer um intenso trabalho de conscientização nas escolas.

Vila São Pedro

Após a eficácia comprovada da tecnologia inédita, a empresa assinou um contrato com a Prefeitura Municipal de Jacarezinho para expandir o trabalho para a Vila São Pedro – bairro mais afetado pela última epidemia de dengue no município. “No momento nossa atuação é apenas na Vila São Pedro. O contrato da Forrest com a prefeitura termina no dia 31 de janeiro de 2020. Estamos buscando, junto às autoridades locais, a continuidade desse trabalho e a expansão dele para outras regiões da cidade, pois sabemos dessa necessidade”, revela Elaine.

A Forrest Brasil está preparada para expandir as operações imediatamente e cobrir toda a cidade de Jacarezinho. “A população necessita de segurança nessa questão e por isso cobramos do município compromissos claros e formais, para que possamos continuar trabalhando”, conclui.