UTI continua fechada sem definição judicial

Esta semana mais uma paciente foi transferida para Jacarezinho, mas acabou morrendo

Disputa judicial impede o funcionamento dos 10 leitos da UTI adulta do HRNP – (Antônio de Picolli)

O processo judicial que corre numa vara cível da comarca de Curitiba, que impediu a entrada em operação da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI Adulto) do Hospital Regional do Norte Pioneiro (HRNP), continua sem definição, conforme informações obtidas junto ao escritório de advocacia Adrian Hinterlang, de Santo Antônio da Platina. Uma das empresas, derrotada na licitação para gestão da UTI, realizada no final do ano passado, ingressou na justiça alegando que a vencedora, apresentou um documento que não seria compatível com a exigência do edital e obteve uma liminar suspendendo a concorrência.

Tanto a empresa vencedora da licitação, a Provida União de Serviços Médicos, liderada pelo médico platinense Anderson Hinterlang como a FUNEAS – Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná, responsável pela gestão do hospital, ingressaram com recursos no Tribunal de Justiça do Estado (TJPR), as até agora o processo está parado, aguardando julgamento.

Enquanto isso, a UTI do HRNP está parada, impedindo a instituição de colocar em funcionamento10 leitos da unidade, que poderia estar atendendo a uma região com mais de 200 mil habitantes. A única unidade que atende o Norte Pioneiro é a da Santa Casa de Jacarezinho, igualmente com 10 leitos, mas incapaz de atender a demanda regional, obrigando a transferência de pacientes em estado grave para localidades como Londrina, Arapongas ou Curitiba.

Drama

As consequências causadas por esse impasse está se transformando num drama para toda a região, a exemplo do que aconteceu na quarta-feira (20). Uma paciente atendida no Hospital Nossa Senhora da Saúde, em trabalho de parto, teve complicações cardiovasculares com uma sucessão de quatro paradas cardíacas. Em estado grave, foi levada à UTI da Santa Casa de Jacarezinho, onde morreu pouco depois de dar entrada na unidade. A notícia causou comoção na cidade, pois a jovem Francielen de Souza Teixeira, de 32 anos, era enfermeira no Pronto Socorro Municipal. O bebê – uma menina de nome Catarina – sobreviveu ao procedimento e passa bem.

Após a morte da paciente começam novamente os questionamentos: até onde o deslocamento ao hospital de Jacarezinho, numa pista irregular, pode ter contribuído para o agravamento do quadro clítico e o óbito? Tivesse ela sido socorrida na UTI do Hospital Regional, distante pouco mais de quatro quilômetros do hospital onde estava internada, teria possibilitado salvar sua vida?

Esse é o drama que aflige familiares, amigos, colegas de trabalho e a comunidade regional. Quantos terão que morrer até que se encontre uma solução para esse impasse jurídico?

A situação cobra uma ação imediata das lideranças da região, com ampla mobilização a fim de que o Tribunal de Justiça julgue o caso o mais rápido possível para possibilitar a abertura da UTI. Ou vamos esperar outros casos como o de Francielen, que teve seus sonhos interrompidos por residir e trabalhar numa região onde a questão da saúde é um pesadelo!